RESIDENCIAL ALCIDES VAI TER CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL E DE QUALIDADE

Açores

A residencial Alcides passa a hotel de três estrela: Filho realiza o sonho de Alcides

Na Páscoa do próximo ano a Residencial Alcides já deve ser um hotel de três estrelas e vai estar certificada em termos ambientais e de qualidade. A empresa, com 56 anos, tem sabido evoluir no tempo e modernizou-se fruto do esforço de Pedro Melo, sócio-gerente da empresa Alcides Cabral Melo – hotelaria e restauração. Além da residencial, também o restaurante sofreu transformações há três anos e agora caminha-se para a sustentabilidade da empresa no futuro, “sempre com a cooperação da excelente equipa que tenho comigo” e que ajuda a apelidar ao bife à regional do Alcides, como um dos melhores de São Miguel.

Correio dos Açores – Há quanto tempo existe a empresa?
Pedro Melo – A empresa tem um forte carácter familiar. A empresa existe desde 1956, tem 56 anos, mas o restaurante abriu em 1908, há 104 anos. Começou como restaurante fundado por um grupo de professores do Continente e, nessa altura, ainda durou perto de 7 ou 8 anos. Depois surgiu um senhor que compra o restaurante e passa a designar-se Restaurante Atlântico. Quando meu pai comprou o restaurante, em 1956, ainda se chamava Restaurante Atlântico.
Anos depois, as pessoas começam a dizer que querem ir ao Alcides e deixam de relacionar com o Restaurante Atlântico e o meu pai opta por mudar o nome para Restaurante Alcides.

Agora, como filho, mantém a tradição?...
Há 21 anos que mantenho a tradição.

O que faz o bife Alcides ser tão famoso?
Tem a ver com a forma de trabalhar a carne, da própria qualidade da carne, a maneira como é confeccionada, mas, acima de tudo, é a equipa do Alcides que faz a diferença. Não é só o bife mas tudo o que está também em seu redor.

A residencial e o restaurante têm-se ressentido da conjunctura menos favorável que se atravessa?
Temos. Estamos a trabalhar bem mas nota-se que há falhas e a falha principal é o turista nacional. O turista nacional falhou por completo. O mês de Agosto é muito importante, a nível de hotelaria é o mês mais forte para o turista nacional.
A nível da restauração, dividimos o jantar em duas fases. A primeira fase começa muito cedo, pelas 19 horas até às 20h30, e é o turista estrangeiro que enche a sala. Pelas 20h30 começa a chegar o turista nacional, que tem hábitos de jantar muito mais tarde, e aí nota-se claramente uma falha, em consequência do mau período que estamos a atravessar em Portugal.

Como se pode ultrapassar esta fase mais complicada? Optam por promoções?
Não fazemos promoções, porque não se coadunam com a nossa imagem. Estamos a tentar aproveitar, ao máximo, tanto o turista internacional como o turista nacional, e estamos a conseguir. Estamos cada vez mais a fidelizar o nosso cliente. O que se nota hoje em dia é que as pessoas vão almoçar ou jantar fora muito menos vezes mas quando o fazem são muito mais selectivas. Se antigamente havia pessoas que iam todos os fins-de-semana jantar fora, hoje em dia vão uma vez por mês e querem ter a certeza que comem bem e é aí que se vê uma selecção natural do cliente.

É essa a vossa aposta para se diferenciarem?
Sim. Costumo dizer, na brincadeira, que a maior diferença entre nós e os outros é que as pessoas não admitem que nós falhemos. São muitos e muitos anos e as pessoas, quando vêm ao Alcides, querem ter a certeza que vão comer bem e não podemos falhar.

É uma questão de reputação?
Claro. Essa é a parte mais difícil, porque as pessoas dizem, muitas vezes, na brincadeira, que eu tive sorte de ter encontrado um restaurante já com nome feito. Mas é muito mais difícil manter o patamar que exigimos hoje em dia do que começar do zero.
Eu não senti propriamente essa dificuldade porque, quando vim para aqui, aos 20 anos, aprendi desde muito cedo que era preciso lutar todos os dias e tive uma grande escola que foi trabalhar com o meu pai. Foi uma boa escola. Faço aquilo que gosto e trabalho com uma equipa muito boa mesmo. A equipa faz toda a diferença e a minha equipa é muito boa.

Quantos colaboradores têm a empresa?
Neste momento somos 14, é um projecto que me orgulha muito. É um motivo de orgulho pessoal saber que contam comigo e que podem programar a sua vida e que vai correr tudo bem.

Na residencial quem vos procura mais?
Neste momento, são os estrangeiros. Tivemos a sorte de entrar no site “booking.com” no momento certo e estamos muito bem. Foi na altura certa, fui incentivado por um grande amigo meu porque eu era um pouco reticente em relação a isso. Fazia-me um pouco de confusão o cliente estar a optar por um site em vez de contactar directamente connosco. Depois, percebi que era o próprio site que dava garantias e foi uma boa aposta.
Hoje em dia as pessoas gostam de ter autonomia, gostam de escolher o seu destino e cada vez menos procuram agências de viagens.
Os clientes gostam de ter o controlo da viagem e sabem que, fazendo eles próprios o percurso que pretendem, têm uma viagem feita à medida e ao seu gosto. O que o site da “booking.com” nos veio trazer foi uma taxa de ocupação muito interessante, tivemos números muito curiosos. No mês de Abril e Maio tivemos bons meses, apanhando a Páscoa e as festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, que foram épocas fortes. Tivemos uma ocupação muito elevada de estrangeiros na ordem dos 75% a 76%, que é muito bom porque foi uma aposta ganha nos mercados estrangeiros mas é assustador porque o mercado nacional está a falhar.

Falou na entrada no “booking.com”. As novas tecnologias ajudam este ramo de negócio? São importantes ou têm desvantagens?
É uma faca de dois gumes. No “booking.com” temos uma quotação muito boa, temos 8.4 em 10 pontos e isso é muito bom. Somos, talvez, a terceira ou quarta unidade hoteleira em Ponta Delgada ao nível de quotação, o que é excelente. Sabemos que somos pequenos e que os outros têm muitos mais serviços que nós, o que significa que trabalhamos muito mais o cliente. Em contrapartida, encontramos muitos desabafos de clientes que, não os fazendo directamente connosco, os fazem na internet o que é desagradável. Lembro-me de uma dessas situações em que um senhor estrangeiro fez no TripAdvisor uma avaliação péssima que me deixou de rastos. Esse é o outro lado da moeda porque ficou lá registado, provavelmente para sempre, e é complicado. Para gerirmos isso temos de tentar perceber o que se passou, tentar que não volte a acontecer. Não voltou a acontecer e não houve mais esse tipo de comentários, mas é desagradável.
Em compensação, temos comentários lindíssimos que compensam de certa forma os comentários menos bons.

Quando a economia melhorar, acha que os turistas estrangeiros vão manter a quota que têm actualmente nos Açores?
Os estrangeiros vão sempre continuar. Antigamente, pensava-se que “trabalhar” o turista estrangeiro era no imediato, ou seja, servi-lo e depois o cliente não voltava mais. Hoje em dia já se começa a perceber que o turista estrangeiro tem retorno quando chega a casa, que era uma coisa que não se trabalhava antes e nós na empresa já o fazíamos.
Tem-se visto que o “boca-a-boca” ainda é a melhor publicidade que existe.

Há muitos clientes que voltam? Mais os estrangeiros?
Já há muitos turistas que voltam, quer estrangeiros quer nacionais.
Agora que estamos a implementar a certificação para a qualidade, o ISO 9001, temos um programa que serve para ver a fidelização do cliente e, realmente, nota-se que muitos voltam.

Vão ter certificação em termos de qualidade?
Penso que dentro de um mês teremos a certificação para a qualidade e a seguir ao Verão, em Outubro ou Novembro, vamos dar início à certificação ambiental.

Que importância tem esse tipo de certificação para a empresa?
É uma garantia para o cliente, é mais um valor da empresa, permite ao cliente olhar para nós e dizer que não parámos no tempo, que temos preocupações, que sabemos onde queremos ir e que estamos a fazer por isso. Isso é muito importante.

Também há algum tempo realizaram obras no restaurante…
Realizamos obras na zona que se chamava antigamente Loja Funda, a mercearia de Domingos Dias Machado. Passámos para a antiga Loja Funda há 3 anos. O edifício já era nosso há 13 anos e só 10 anos depois de o termos comprado é que conseguimos passar o restaurante para o andar de baixo. Neste momento, o restaurante está mais pequeno, porque apesar das obras, diminuímos o restaurante que tem agora capacidade para menos oito pessoas.
Se tudo correr bem, a seguir ao Verão, entre Setembro e Outubro, vamos dar início à última fase da ‘Alcides’, que é completar os quartos que estão por cima do restaurante novo, unir os três edifícios definitivamente e converter a residencial em hotel de 3 estrelas. É o que realmente queremos. O meu pai tinha muito gosto em converter a residencial em hotel, porque sempre quis estar num patamar mais acima. Se tudo correr bem para a Páscoa do próximo ano já vamos ser um hotel.

Com quantos quartos vão ficar?
Futuramente ficamos com 36 quartos, ou seja, ficamos quase com o dobro da capacidade.

Com a certificação de hotel de 3 estrelas, pretendem manter o mesmo tipo de clientes?
Vamos querer manter o nosso cliente. Por isso, a nossa preocupação é fazer o trabalho de casa e fidelizar o cliente para que, quando fizermos esta passagem de residencial para hotel de 3 estrelas, podemos oferecer-lhe a nossa nova realidade e os nossos serviços.
O mais importante desta passagem a hotel de 3 estrelas é a possibilidade de passarmos a aceitar grupos porque, neste momento, só temos 19 quartos e as agências têm muitas dificuldades em trabalhar connosco ao nível de grupos. Já com 36 quartos é mais fácil aceitar grupos e trabalhar melhor com eles.
Outra grande vantagem é que os custos mais elevados já foram suportados. Transformar uma unidade de 19 para 36 quartos implica talvez incluir mais um elemento na equipa, ao nível dos quartos.
Em 2010 já colocamos mais 2 elementos; em 2011 colocamos mais 2 e em 2013 vamos colocar mais um elemento. A empresa está a crescer muito e está a acrescer bem.

Todas estas mudanças na estrutura da empresa são uma homenagem sua ao seu pai?
Sim. O meu pai não ligava muito a essas coisas da certificação ambiental nem da qualidade, mas sabia trabalhar essas duas coisas. Só não sabia passá-las para o papel.
De certa maneira é uma homenagem que lhe vamos fazer, porque criando a certificação ambiental, a certificação da qualidade, e fazendo estas melhorias todas, conseguimos assegurar o futuro da empresa o que é muito bom. Independentemente de ser eu ou outra pessoa, fica assegurado o futuro da empresa, e isso é que é importante.

Fonte: Correio dos Açores, 13.08.12
http://www.correiodosacores.net/index.php?mode=noticia&id=40330

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