Alojamento Local: maioria dos imóveis estava desocupada antes de ser convertida

Resultados finais de estudo inédito da AHRESP

Alojamento Local: maioria dos imóveis estava desocupada antes de ser convertida

·         Localização, qualidade das instalações e equipamentos, personalização dos serviços e preço são os aspetos mais valorizados pelos hóspedes
·         Empresários do Alojamento Local consideram carga fiscal e questões legais como a principal ameaça à sua atividade

A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), em parceria com o ISCTE, a Sítios e com o apoio do Turismo de Portugal, realizou um estudo inédito de caraterização do Alojamento Local (AL) na Área Metropolitana de Lisboa, junto de cerca de 6.000 empresários desta atividade.

O projeto parte de um levantamento exaustivo de informação nunca antes efetuado e integra três estudos de caracterização: oferta de estabelecimentos, perfil dos empresários e procura de AL. Para Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP, o «objetivo deste projeto é conhecer com mais detalhe a realidade do Alojamento Local no nosso país, para compreender melhor o seu papel na indústria da hotelaria e do turismo e, assim, contribuir para o seu crescimento e desenvolvimento sustentável».

Os resultados finais deste estudo permitem traçar com mais precisão o perfil dos imóveis, dos proprietários e dos hóspedes destes estabelecimentos. No caso dos primeiros, é de referir que a grande maioria (86%) é composta por apartamentos, seguem-se as moradias (6,5%), os estabelecimentos de hospedagem(5,6%) e os hostels (1,6%). Antes de serem convertidos em unidades de AL, a maior parte dos imóveis estava desocupada (59%), em 19% dos casos passaram de arrendamento para habitação para AL e 13% eram utilizados para habitação própria. Quanto a regras, são muitos os alojamentos que não permitem animais (77%) e ainda mais os que não permitem fumadores (81%), sendo que quase 100% tem Internet e cozinha equipada entre os equipamentos e comodidades disponibilizados.

Metade dos hóspedes tem menos de 40 anos
A grande maioria dos empresários (72,4%) exerce a sua atividade como pessoa coletiva. Mais de metade dos proprietários tem idades compreendidas entre os 35 e os 54 anos e são predominantemente licenciados (68%). A gestão do AL é a sua principal atividade económica, sendo que o mais frequente é apenas possuírem um AL (20%).

Estes empresários consideram que as principais ameaças sentidas são a carga fiscal, as questões legais e de licenciamento (47%), a sazonalidade do negócio (41%), sendo que as oportunidades mais referidas são a procura turística de estrangeiros (85%), a percepção positiva sobre Portugal (59%) e a procura de um serviço personalizado (42%).

Segundo os inquiridos deste estudo, os franceses (47%) e espanhóis (28%) estão entre os hóspedes que mais procuram o AL, com 45% das reservas a serem feitas por casais. Outro dado a registar é que cerca de metade dos clientes não tem mais de 40 anos.

A maioria (72%) indica a localização do imóvel e os comentários dos outros hóspedes (68%) como as principais motivações para a escolha do AL. Os aspetos mais valorizados pelos hóspedes são a localização, o apoio do anfitrião (69%) e metade refere a decoração. Os transportes públicos são o meio de transporte preferencialmente utilizado pelos hóspedes do AL.

Opinião da vizinhança é globalmente positiva
Este estudo revela também que as taxas de ocupação variam ao longo do ano, sendo que o mais frequente são as taxas que se situam entre os 50% e os 70 % e entre os 70% e os 90%, em função da época baixa ou alta do ano. O Facebook é o meio escolhido pela quase totalidade dos inquiridos para promover o seu estabelecimento: 98% dos casos utiliza esta rede social. Um número significativo (78%) faz publicidade em plataformas de reserva.

Em termos de operadores, a Booking é o principal meio de marcação de reservas (45%), seguido de o AirBnB, onde as reservas diretas correspondem, aproximadamente, a 9%. No que se refere ao pagamento, predominam as situações em que é solicitado o pagamento integral aquando da reserva da estadia (37%). O proprietário é, em 45% dos casos, o responsável pela gestão dos seus AL, gestão de reservas, pela promoção (43%) e pelo acolhimento dos hóspedes (35%). Por último, os participantes do estudo revelam também que a opinião da vizinhança sobre os Al é globalmente positiva (32%), sendo que o estacionamento e a limpeza são apontados como aspetos a melhorar.

Este inquérito enquadra-se no âmbito do Programa QUALITY – projeto desenvolvido pela AHRESP, que visa a valorização e qualificação do Alojamento Local. A informação foi recolhida através do preenchimento de um questionário, enviado aos empresários inscritos no Registo Nacional de Estabelecimentos de Alojamento Local (RNAL) ou referenciados pelas autarquias da Região de Lisboa. Numa primeira fase, este inquérito foi realizado na Área Metropolitana de Lisboa, mas o objetivo é replicá-lo noutras regiões do país, de forma a permitir um maior conhecimento da realidade do Alojamento Local em Portugal.
 

 

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