Incêndios: Crédito bancário para turismo pode atingir "taxa zero" de juros

O crédito bancário para a reconstrução de empreendimentos turísticos atiungidos pelos incêndios, pode ter taxas de juros de 0%

Os empreendimentos turísticos atingidos pelos incêndios podem recorrer para a reconstrução a crédito bancário em condições favoráveis, podendo, em alguns casos, obter taxas de juros de zero por cento, revelou hoje o presidente da Turismo do Centro.

Esta linha de crédito, destinada a empresários do setor do turismo que sofreram danos avultados nos seus empreendimentos devido aos incêndios, oferecerá também "bons períodos de carência" (período entre o início de um crédito e o início da amortização do capital do empréstimo), acrescenta o líder desta Entidade Regional, Pedro Machado.

Um mês depois do incêndio que atingiu 59 concelhos na região Centro e que destruiu total ou parcialmente 39 empreendimentos turísticos, a Turismo do Centro e a Turismo Portugal têm em curso um conjunto de reuniões com autarcas e empresários do setor.

O objetivo é apresentar os apoios disponibilizados pelo Estado para a reconstrução e divulgar as ações de promoção da região, dentro e fora do país, que estão já em andamento.

Entre as medidas de emergência, destaca-se a "linha de tesouraria" que permite financiar rapidamente as empresas que provem ter sido atingidas de forma grave pelos incêndios. O teto desta linha de tesouraria é de 150 mil euros, com financiamento a fundo perdido até 75 por cento. A intenção é fazer com que estes empreendimentos regressem o mais rápido possível ao trabalho.

O teto para reparações de praias fluviais, percursos pedestres e outros empreendimentos turísticos é mais alto (400 mil euros) e depende das candidaturas dos municípios, que estão a ser apoiados na sua elaboração pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, pelo Turismo Portugal e pela Turismo do Centro. Acresce ainda a linha de crédito bancário com condições especiais.

Para além destas "medidas de emergência", as autoridades do setor do Turismo têm em marcha campanhas de promoção da Região Centro, a mais atingida pelos incêndios de junho e outubro.

Nas zonas metropolitanas de Lisboa e do Porto irá ser feita uma larga campanha através de cartazes e múpis (expositores de publicidade, com dimensões médias, e um formato de cartaz, geralmente protegidos por um vidro), convidando os portugueses a visitar e a fazer férias na região Centro.

Nos supermercados Continente arrancou também já a venda de pacotes turísticos da região Centro. Em colaboração com a AHRESP - Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, a Turismo Centro está a negociar com as empresas de distribuição a inclusão de produtos do Centro de Portugal nos respetivos cabazes de Natal.

"Estamos todos a trabalhar para que o setor [do Turismo] recupere o mais rápido possível na região Centro", diz Pedro Machado, que defende a revisão da Estratégia para o Turismo 2027, que estabelece "ações e objetivos" para o setor na próxima década, tendo em conta o impacto dos incêndios.

Pedro Machado considera que a Estratégia 2027 não pode ignorar as dificuldades criadas pelos incêndios de junho e outubro na atividade turística, lembrando que no Centro do país foram atingidos pelos incêndios deste ano 59 dos 100 municípios que integram a Entidade Regional.

Há ainda a registar perdas materiais avultadas, com destruição parcial ou completa de 39 empreendimentos turísticos e de diversas atrações turísticas, como percursos pedestres.

Pedro Machado lamenta ainda o "rombo" na confiança dos turistas e operadores, traduzida numa primeira fase pela queda em 77 por cento das reservas hoteleiras em toda a região, que foi a mais afetada a nível nacional pelo avanço das chamas, que no incêndio de 15 de outubro devastaram também uma larga faixa do litoral.

Alguns das principais referências de turismo em espaço rural (e algumas unidades de Alojamento Local) da região foram completamente devoradas pelas chamas. Foi o caso da Casa Grande do Loureiro (Tábua), Quinta do Pinheiro Manso (Tábua), Chão do Rio (Seia), Villa Carrascais (Oliveira do Hospital), Miradouro (Oliveira do Hospital) e Vale das Maias (Penacova).

O Parque de Campismo da Praia da Vieira (Leiria) foi também destruído e o Golfe de Montebelo (Viseu) sofreu estragos avultados. Foram ainda total ou parcialmente destruídos 34 percursos pedestres e algumas praias fluviais. As situações mais graves (perda total) foram registadas em Vila do Rei, Fundão, Penacova, Grande Rota do Zêzere, Covilhã e Lagoa de Mira.

Fonte: Dinheiro Vivo/Lusa, 14.11.2017

 

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