Restaurantes e Experiências - artigo de Jorge Humberto Silva

Um Cardápio de Alegrias e um Menu de Ainda Tristezas.

Vezes de mais pensamos que turismo é o mesmo que alojamento. Hotéis, turismo de habitação, hostels e alojamento local. Nem sempre é assim. Podemos ficar na casa de amigos e somos, na mesma, turistas como os outros. Desde que fiquemos pelo menos 24 horas num destino, numa cidade ou numa região.

Em sentido inverso desvalorizamos frequentemente a importância e o papel da restauração no turismo. Quando, na verdade, o grande criador de emprego no turismo é exatamente a restauração que representa cerca de 4 vezes mais emprego e 10 vezes mais empresas do que o alojamento.

Acresce que o espaço a que chamamos restaurante é muitas vezes a mais simples e a mais acessível viagem à “alma” de um povo. Às suas tradições. Aos seus hábitos.
Num certo sentido: “diz-me o que comes, dir-te-ei quem és”. Este “és” representa parte da nossa singularidade como país e como povo. Por isso falemos de restaurantes. E falemos de restaurantes como uma atividade tão importante como o alojamento ou as empresas de turismo ativo, ou as empresas de aluguer de carros ou mesmo as de transporte aéreo. Então para acabar de vez (ou desta vez) com o preconceito: restauração é turismo. Sem dúvidas, sem medos e sem “mas”.

Os restaurantes são, aliás, muito mais característicos de um país do que as restantes empresas do setor turístico. Um avião é um avião. Um carro é um carro. Um quarto de hotel um quarto de hotel. Uma receita (porém) também não. Uma receita é única e irrepetível. Assim como quem a cozinha. E assim, já agora, como quem a come.
Cada país tem assim um sabor próprio e a forma mais fácil de o conhecer é passar esse limiar que é a porta de um restaurante. Como se fosse um portal para Nárnia. Ou para a história, a sociologia e o jeito de transformar produtos em receitas, tudo junto e tudo ao mesmo tempo.

Depois um restaurante é muito mais do que o que apenas se vê. Aliás um dos aspetos mais difíceis de definir mas mais fáceis de sentir num restaurante é a sua “atmosfera”. Ou a total ausência dela. Basta lá entrar. Um qualquer indefinido diz-nos logo quase tudo sobre o espaço. Sorriso e iluminação, os objetos no balcão, o espaço entre as mesas, a ausência ou presença de televisão. Televisão na forma de altar, altar que tudo absorve e domina (televisão e restauração aqui como opostos). Tantos detalhes que curiosamente não vimos mas de imediato retemos.

Por isso sentar numa mesa de um restaurante não trata apenas, nem pouco mais ou menos, de apenas comer. Trata de muito mais.
A “construção” de um ambiente (que se sente de imediato) define assim um restaurante. Torna a sua proposta única. O seu conceito (como agora se diz) uma prova de vida e de cultura (também gastronómica).

Depois o prato e o que ele contém. Não precisa de ser muito. Não pode ser pouco. Tem de ser o suficiente para “renascermos” e revermos o mundo com outra barriga.

A tristeza no menu refere-se ao ainda longo caminho que a restauração tem de percorrer para se tornar uma parte essencial da oferta turística portuguesa. Os nossos chefs estão a dar um contributo inestimável para o prestígio e o reconhecimento da nossa gastronomia e da nossa restauração. Mas não é uma estrela michelin que faz a primavera da restauração.

O restaurante médio está ainda muito longe desta realidade. E o restaurante médio, aquele da cozinha honesta e dedicada, é a imagem da restauração em Portugal. E persiste também um universo, paralelo às tendências do setor, onde qualquer um faz o que chama de comida. Uma qualquer coisa que vem dentro de um prato. Duas palavras sintetizam assim o muito que falta fazer acontecer: qualificação e dignificação.

Diz-me o que comes e dir-te-ei quem és. Assim como diz-me que restaurante és e dir-te-ei que economia de turismo tens.

Jorge Humberto Silva
 

 

Destaques Comunicados AHRESP Agenda
Alojamento Turístico - julho.2018
Turismo de Ar Livre e Campismo - julho.2018
Alteração ao Contrato Coletivo de Trabalho entre a AHRESP e a FESAHT
Publicação do novo regime do Alojamento Local (AL)
Portal Nacional de Fornecedores do Estado
Novo regime para o Alojamento Local
Linha de Crédito Capitalizar 2018
BREXIT – Preparação para Saída do Reino Unido da UE
Linha de Apoio IFFRU 2020
Newsletter AHRESP #55
Alterações legislativas do AL podem ter impactos muito negativos e injustificados
AHRESP apresenta nova fase do programa Seleção Gastronomia e Vinhos Açores
DIA MUNDIAL DO AMBIENTE
AHRESP lança segunda fase do Taste Portugal
AHRESP lança campanha de sensibilização para redução de plásticos
Restauração e Alojamento criaram mais de 21 mil novos postos de trabalho
NOVOS ÓRGÃOS SOCIAIS DA AHRESP TOMARAM POSSE
AHRESP NA VICE PRESIDÊNCIA DA FEDERAÇÃO EUROPEIA ORGANIZAÇÕES CAMPISMO E CARAVANISMO
Eleições da AHRESP Triénio 2018-2021
Turismo continua a impulsionar evolução positiva da conjuntura económica
> 35º Festival Nacional Gastronomia | 22/10 a 01/11 | Santarem
> 10.º Festival do Marisco de Ribamar | 23 outubro a 1 novembro | Ribamar
> New Food Bizz | 29 outubro | Santarém
> 10º Aniversário da ASAE | 3 novembro | Porto
> IV Convenção HOTELSHOP/SOCIALSHOP | 04 novembro | Lisboa
> TTR– Feira de Turismo da Roménia | 13 a 16 novembro | Bucareste
> Semináruo 40 Anos ANCIPA | 17 de novembro | Lisboa
> XXVI FEHISPOR, FEIRA HISPANO PORTUGUESA | 19 a 22 novembro | Badajoz
> Alimentaria&Horexpo Lisboa e Portugal AGRO | 21 a 24 novembro | Lisboa
APAVT convida a debater "Turismo: partilhar o futuro"